Muitas
pessoas que gostam de música, “não vivem sem música”, etc, etc, não sabem a
importância que tem a pessoa que produziu aquela determinada canção ou disco
que gostam.
Temos a
mania (ou a desinformação – falta de pesquisa) de colocar a glória toda nos
músicos. Como se fossem eles que acertassem todos os detalhes e o produtor apenas
gravasse a canção. Mas não é assim.
O produtor,
geralmente, é aquele cara que pega o material bruto e dá, digamos, uma
“polida”. Transforma aquilo em outra coisa. O produtor de um disco é contratado
justamente para isso. Às vezes aquele determinado trecho da canção que te faz
vibrar e fazer caras e bocas foi uma pequena sugestão de um produtor para a
canção e não um momento de genialidade do seu ídolo. O produtor tem o poder
de cortar um solo pela metade, ou estendê-lo. Sugerir umas batidas a mais, uma
estrofe a menos. Um outro tom vocal. Um coro aqui, um fundo de teclados ali. Por
vezes uma canção que não tinha “nada demais”, é transformada em mega hit por um
produtor que foi contratado justamente para isso.
A figura do
produtor é uma ajuda para a banda, é que ele quem dá o norte para o grupo,
auxilia no melhor entendimento de como a música é e para onde ela deve ir.
Aquele toque certo na hora certa. Aquela batida, aquele riff, aquele solo.
Funciona como um maestro moderno. O produtor exerce um “poder” sobre a banda no
estúdio que muitos desconhecem.
Há alguns
músicos que após anos de estrada e de experiência, preferem produzir seus
próprios álbuns, como por exemplo o guitarrista John Petrucci e o baterista
Mike Portnoy, que produziram todos os álbuns do Dream Theater de 1999 a 2009, e
desde que Portnoy saiu da banda, Petrucci assumiu sozinho este cargo.
Um artigo da NME de alguns anos atrás, trouxe
como exemplo a canção Live Forever, do Oasis. Ouça a versão demo e em seguida a
versão do disco, com o produtor Owen Morris:
Outra vida,
certo?
Em outro
exemplo, veja o ataque de “fúria” do produtor brasileiro Liminha com o
ex-baterista do Titãs, Charles Gavin, em meio às gravações do clássico Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas:
Neste caso
acima, vemos claramente um produtor que além de notar que o som da bateria não
era o adequado para a canção, não queria que este som fosse demasiadamente
demonstrado, por isso a bronca em Charles por “fazer solos de bateria durante a
música”, além de um pequeno debate entre o músico com sua concepção contra a do
produtor.
É óbvio
que, como já vimos aqui no TRMB, nem sempre a opinião do produtor é
acatada pela banda, como no caso de Bob Ezrin que levou um sonoro “não”
de David Gilmour ao propor um rap no álbum “A Momentary Lapse of Reason”
A
capacidade do produtor musical é tamanha que certas bandas “brigam” por
determinados produtores e até adequam suas agendas para poderem trabalhar com
ele.
Um produtor
como Rick Rubin, por exemplo, já fez bandas como Slayer esperarem por ele. Rick
já produziu nomes que vão de U2, Neil Diamond e Limp Bizkit a Slayer, Metallica
e Gogol Bordello.
Alguns
deles praticamente “fazem carreira” com algumas bandas.
Um exemplo
clássico:
Martin
Birch: produziu o Iron Maiden do segundo álbum, Killers (1981) ao disco final da primeira fase de Bruce Dickinson
na banda, Fear of the Dark (1982).
Alguma dúvida do por que o Maiden começou a soar diferente no disco seguinte? O
próprio Iron Maiden achou seu “novo Martin Birch”, trata-se de Kevin Shirley,
que é o produtor oficial da banda desde a reunião da formação clássica em 1999. No caso do Iron Maiden, é bom lembrarmos também da importância de um produtor para o lado negativo da coisa: Will Malone foi quem produziu o Maiden em seu debut Iron Maiden (1980) e segundo os membros da banda, o cara não fazia nada além de ficar deitado em um sofá e fumando. Agora, por mais que seja um disco clássico e considerado por muita gente como um dos melhores da banda, ouça o debut e na sequência ouça Killers e veja a diferença brutal de sonoridade que a banda atingiu com um produtor que realmente fez o seu serviço.
Steve Harris e Martin Birch: uma das maiores parcerias entre uma banda e um produtor |
Só lembrando que Martin Birch também produziu todos os álbuns de fases
clássicas de três grupos importantes da história do hard rock: do Concerto For Group and Orchestra (1969)
ao Made in Europe (1976) com o Deep
Purple. Do primeiro álbum Ritchie
Blackmore’s Rainbow (1976) ao Long
Live Rock ‘n’ Roll (1978) do Rainbow, e de Snakebite (1978) a Slide It
In (1984), do Whitesnake.
Fazer uma
lista de “melhores” é algo extremamente subjetivo e pessoal – e difícil. Fazer
uma lista de “melhores produtores” é algo mais complicado ainda. Vou terminar
este post sem uma lista, porque a intenção aqui não é dimensionar nomes
individuais, e sim o cargo. E também porque um dia produzir posts específicos
para cada grande produtor está nos planos da Redação deste blog.
Sempre que
você gostar muito de um álbum, tente reparar em quem o produziu e procure
outros títulos que ele tenha produzido também. Certamente você vai notar algo
em comum, mesmo que sejam bandas de estilos completamente diferentes. Um
produtor é como um guitarrista ou outro instrumentista: você reconhece aquele
que tem uma pegada única, um timbre único, um estilo único. É a mesma coisa com
um produtor. Seja pela sonoridade que ele impõe ao álbum ou até mesmo pelo
tempo de duração médio das canções, você saca que tem algo do produtor ali.
Um exemplo
sobre o parágrafo acima, desta vez numa área mais voltada ao metal extremo: o
produtor Scott Burns.
Malevolent Creation com o lendário Scott Burns |
Ouça as
canções abaixo e veja que mesmo que cada banda tenha uma sonoridade específica
e única, todas elas são “amarradas” pelas mesmas características de produção do
Scott. Os exemplos abaixo também servem para vermos como um produtor pode
influenciar toda uma cena. A maioria das bandas listadas estava nos seus
primeiros álbuns e são consideradas precursoras do Death Metal, estilo nascido
no final dos anos 80. Alguma dúvida da importância que Scott Burns teve para
tudo o que o death metal se tornou?
Parabéns pela matéria!!
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