Carlos H. Silva
Apesar do título clichê e forçado, é a realidade.
Muito do meu gosto musical de hoje se deve a dois vídeos do
melhor crítico musical do Brasil - e polêmico, extremamente sincero, Regis Tadeu. Um de 2008, outro de 2010.
Em 2008, Regis foi ao programa do Jô Soares falar sobre sua
paixão pelo vinil. Foi uma entrevista muito divertida em que o Jô, fã do CD,
provoca o entrevistado e o Sexteto o tempo todo. Na parte final da entrevista,
Regis colocou alguns vinis na vitrola, um deles de Ella Fitzgerald e outro do
Gentle Giant.
Foi nesse ponto que tudo mudou para mim.
Até aquele momento eu conhecia o rock progressivo “por cima”.
Leia-se “eu conhecia Rush, Yes, Pink Floyd, Genesis, Supertramp, King Crimson,
etc”. Na época o que eu mais ouvia era metal extremo e o rock progressivo era
um universo que eu estava começando a explorar.
Aqueles primeiros segundos de “The Runaway”, do disco “In a
Glass House”, que o Regis tocou no programa exerceram em mim uma influência que
basicamente definiu o meu gosto musical de hoje.
A partir daquele exato momento – literalmente após a
entrevista - eu mergulhei no rock progressivo e em todas as suas vertentes – do
metal progressivo ao rock progressivo italiano, do neo-progressivo dos anos 80
à Cena de Canterbury, do avant-garde ao new prog, do psicodélico ao Djent. E
obviamente isso tudo também me levou ao jazz e à música clássica, em menor
escala.
Portanto, um divisor de águas na minha vida (mais clichê).
O segundo momento foi o vídeo que o crítico fez como um Guia
Básico de por onde começar a ouvir a obra de Frank Zappa. No meu mergulho na
música progressiva eu passei por Frank Zappa, é claro, mas eu confesso que de
primeira e principalmente por não ter escolhido os álbuns certos para começar,
eu não me dei bem. Porém, cerca de 2 anos depois, em 2010, ao assistir o vídeo
abaixo eu segui as recomendações do Tio Regis e foi um tiro certeiro. Não só o
Zappa se tornou um dos meus músicos favoritos como acabou sendo muito mais
fácil gostar dos álbuns que não me tinham descido muito bem dois anos antes. E
teve o fato de a musicalidade do Zappa ter me impressionado de tal maneira que
meu gosto passou a ser muito mais “crítico” em relação às partes técnicas e a
criatividade de todos os discos que eu ouvia a partir de então. Ter mergulhado
e me apaixonado pela obra do Frank Zappa foi o grande responsável de hoje eu só
gostar de ouvir música com fones de ouvido: é muito melhor para prestar atenção
aos detalhes das canções.
Valeu, Régis Tadeu!
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