Retornos e recomeços: 13 grandes discos

Posted by Rose Gomes | Posted in | Posted on 10:00

Retornos e/ou recomeços fazem parte da carreira da grande maioria das bandas que tem mais de 15 ou 20 anos de história. Algumas até bem menos do que isso. Drogas, farras, mudanças de vida, divergências musicais, cansaço, falta de criatividade, ciúmes, inveja, dinheiro... tudo pode ser motivo para a separação de uma formação considerada clássica para uma banda. Mas os anos passam, as coisas mudam, e esses caras sempre são picados pelo mosquito da nostalgia e da vontade de tocar junto de novo - e obviamente pela grana também.

Assim como, também, de qualquer fonte de inspiração, uma banda pode ressurgir com um grande álbum após uma má fase. Uma mudança de membros, mudança de postura, de vida... o que seja. A história está aí para mostrar isso.

Pensando nisso, resolvemos listar esta semana alguns discos essenciais para a carreira de algumas bandas que retornaram ou recomeçaram após um período difícil. Serve também para o nosso retorno após algumas semanas sem a lista semanal! 

Vamos à lista!

Iron Maiden - Brave New World (2000) 

Brave New World é um senhor álbum que merece ser bastante celebrado, pois marca a volta não só do vocalista que na minha humilde opinião é a voz do Maiden – Bruce Dickinson, que estava afastado desde 1993 e havia sido substituído tragicamente (a MEU ver) por Blaze Bayley -, como também traz de volta ao grupo os solos poderosos de Adrian Smith, longe da banda desde 1989. Faixas como The Wicker Man, Ghost of the Navigator e a homônima Brave New World mostram que a banda voltou às suas origens, trazendo a felicidade geral e satisfação aos bangers de carteirinha. (Rose Gomes)

Este é um daqueles discos que não tem como ficar de fora em uma lista dessas; após ver sua banda afundando em popularidade e também em carisma com os fãs no final da década 90, seja pela sonoridade ou pela falta de carisma de Blaze Bayley (e talento, segundo muita gente, o que eu não concordo), Steve Harris teve de dar o braço a torcer: em uma reunião organizada por Janick Gers, encontrou Bruce Dickinson e alguns abraços e cervejas depois, estava tudo acertado. Não só Bruce, como Adrian Smith retornou também - e claro que Janick continuou, afinal ele foi o estopim de tudo. O mundo esperava um disco forte, mas acho que ainda assim o trabalho pegou muita gente de surpresa pela qualidade acima da média. É fácil notar Brave New World em muitos "TOP 5" do Iron Maiden (no meu, entra) e canções como The Wicker Man (com o crescendo épico no final), Ghost of the Navigator (os velhos riffs cavalgantes retornando), a grandiosa faixa-título e a bela Blood Brothers mostram que a banda voltou em uma invejosa forma. Destaco ainda a old school The Mercenary e a épica dobradinha final com Out of the Silent Planet e The Thin Line Between Love and Hate. (Carlos H. Silva)


AC/DC - Back in Black (1980)

Pode ser que você se pergunte, "Como assim, 'Retorno do AC/DC', se Highway to Hell havia sido lançado em 1979?". E sim, ele realmente foi lançado nesse ano, sendo no ano seguinte lançado Back in Black, mas é bom que fique claro que no mesmo ano do lançamento, Bon Scott, o primeiro vocalista da banda, e um dos melhores de todos os tempos, lastimavelmente veio a falecer, ou seja, imagine só o que deve ter passado pelas cabeças dos integrantes, "Nosso líder morreu, e agora? Agora encontramos Brian Johnson e vamos gravar um dos discos mais clássicos de toda a história", que belo retorno, não? Ele não precisa de apresentações, então não apresento. (João C. Martins)




Halford - Ressurection (2000)

Após sair do Judas Priest, ficar um tempo com o Fight e depois se envolver na música eletrônica com o Two (e assumir a homossexualidade, o que na época foi algo controverso, porque os fãs de antes eram muito menos tolerantes do que hoje em dia), Rob Halford estava "desacreditado" para os fãs de Heavy Metal. Ninguém esperava mais nada do Metal God. Eis que no maravilhoso ano de 2000, Rob surge com Ressurection, acompanhado de uma banda estelar (Bobby Jarzombek, baterista, e Mike Chlasciak, guitarrista, faziam parte dela) e produzido por Roy Z. O álbum marcou o retorno grandioso do carequinha para o gosto do público headbanger e trouxe novos clássicos em sua carreira como Ressurection, Made in Hell, Night Fall, a maravilhosa Silent Screams e ainda a participação de Bruce Dickinson em The One You Love to Hate. Pesado, forte! O Brasil viu o show deste álbum quando Halford abriu para o Iron Maiden no Rock in Rio 2001. (Carlos H. Silva)



Def Leppard - Hysteria (1987)

Depois de quatro anos de hiato em decorrência do fatídico acidente que deixou o baterista Rick Allen sem seu braço esquerdo, o Def Leppard voltaria com o que é considerado um dos melhores trabalhos da banda, o álbum Hysteria, quarto disco dos caras. Tocando melhor do que nunca, numa bateria adaptada especialmente para suas novas condições, Allen arregaça em faixas como Animal, Pour Some Sugar on Me e Don't Shoot Shotgun e se torna a prova viva de que talento e superação podem fazer uma banda retornar melhor do que nunca. (Rose Gomes)




The Who - Endless Wire (2006)

O Who tinha tudo para não voltar, para não lançar mais nada, nem mesmo um álbum de músicas já lançadas, afinal de contas depois de Who Are You (1978), tudo foi diferente, Keith Moon já não poderia mais ser o baterista, Face Dances (1981) e It's Hard (1982) decepcionaram até aqueles que não conheciam a banda. Quando conseguiram se reunir outra vez, apenas para alguns shows beneficentes entre 1997 e 1999, viram que havia a possibilidade de voltar, porém John Entwistle que era um descabeçado, fez o favor de nos deixar em 2002, quando eles já estavam compondo novamente, e em conjunto! Que desgraceira, melhor parar... não sem antes um grande desfecho. Endless Wire, está longe de ser o melhor da carreira deles, mas é o Who de volta! Não o WHO! Mas o Who, e merece estar aqui, foram vinte e quatro anos de espera, então... It's Not Enough é sem dúvida a melhor de todas as faixas. (João C. Martins)



U2 - Achtung Baby (1991)

O ano era 1991 e o U2 lançava aquele que seria o divisor de águas de sua carreira. Um álbum ousado, sombrio e ao mesmo tempo irreverente. Achtung Baby reinventaria a banda que àquela época se via desmotivada. Em parte pela crítica negativa do último disco lançado – Rattle and Hum, de 1988 – e pela crise criativa que assolava os músicos do grupo. Músicas como Mysterious Ways, The Fly ou Even Better Than The Real Thing mostraram a nova cara do U2 e junto ao grande destaque do álbum, a inigualável One, garantiram o sucesso deste trabalho que salvou a banda num momento em que ela estava prestes a se desintegrar. (Rose Gomes)



David Bowie – The Next Day (2013)

Isso é o que eu chamo de um retorno inesperado! Depois de 10 anos sem lançar um trabalho de inéditas e nos fazendo acreditar que já estaria pendurando as chuteiras, eis que surge o super Camaleão do Rock, David Bowie, com um disco de excelente nível que conquistou as paradas mundiais ajudando a fazer de 2013 um ano ainda mais interessante em termos musicais. The Next Day foi lançado praticamente de surpresa e traz canções cheias de guitarras swingadas como a animada The Stars (Are Out Tonight),a graciosa Valentine´s Day com uma batidinha leve e um Bowie extremamente meigo, e a agitada How Does the Grass Grow? Um retorno e tanto! (Rose Gomes)



Led Zeppelin - Celebration Day (2007)

Antes de iniciar, só para deixar claro, esse não é um álbum de inéditas, nada mais é que um compilado de tudo o que já fizeram de melhor, contudo são eles juntos novamente exceto John Bonham, é claro, que teve o lugar ocupado por ninguém melhor que seu filho, Jason Bonham. Depois da morte de John, eles definitivamente pararam como banda, nada mais foi lançado de novo, sem contar Coda, que foi lançado em 1982, mas nada mais foi que um disco de sobras de estúdio. Enfim, Celebration Day colocou num palco John Paul Jones, Jimmy Page, Robert Plant e, o mais próximo pelo menos de, John Bohnam, sendo assim... Obrigado, Zepp! (João C. Martins)



Metallica - Death Magnetic (2008)

Para muita gente o melhor álbum do Metallica desde 1988, para outros tantos desde 1991, para alguns poucos desde 1997; eu me encaixo na segunda turma e Death Magnetic não é só o "melhor desde tal época", mas um grande trabalho lançado pelo Metallica. Eu jamais vou esquecer o que senti quando escutei pela primeira vez o riff de That Was Just Your Life, aquele que vem depois do dedilhado e da intro "de guerra". Jamais vou esquecer o que senti quando escutei os grooves de "Broken, Beat & Scarred" e a porradaria de My Apocalypse. Embora tenha alguns poucos pontos fracos (a produção deixa um pouco a desejar, além da medonha canção The Unforgiven III), Death Magnetic tem um significado enorme para o heavy metal em geral. (Carlos H. Silva)



Titãs - A melhor banda de todos os tempos da última semana (2001)

Os Titãs são, talvez, A melhor banda de todos os tempos, e não só da última semana, e sabendo disso não poderiam ficar de fora. Sabe-se que muitos fatores intervieram na continuidade da banda, ou melhor do bando, pois era muita gente trabalhando ali. Em 1995 gravaram Domingo, e daí em diante apenas greatest hits foram lançados, incluindo o excelente Acústico MTV Titãs (1997) que reuniu a cambada toda outra vez, enfim ficaram um tempão sem lançar um álbum de inéditas. Então em 2001, já sem Marcelo Fromer também, lançaram esse ótimo play de inéditas, veja só! Canções como Epitáfio, Isso e Alma Lavada são alguns dos clássicos que embalaram esse regresso. (João C. Martins)


Blaze - Silicon Messiah (2000)

Eu já comentei ali em cima que não concordo que Blaze seja um cara sem talento. E eu gosto - e muito - dos álbuns dele no Maiden, embora eu consiga sem problemas saber porque muita gente não gosta. E ao ser chutado da banda para o retorno de Bruce, Blaze mostrou de vez que era um cara muito talentoso e criativo. Seu álbum de estreia, Silicon Messiah, está entre os grandes álbuns de metal da década passada; muito pesado e cheio de melodias cativantes (só refrão bom!), o disco é ótimo do início ao fim - já vi muita gente dizer que se algumas canções ali fossem "maidenizadas" pelo Steve Harris a história teria sido outra. O fato é que Ghost in the Machine, Tough as Steel, Stare at the Sun (esta, sensacional, puro Maiden!), The Brave e Born as Stranger são verdadeiros clássicos. Quem não deu uma chance ao Blaze pós-Maiden, por gentileza ouça este disco assim que for possível. (Carlos H. Silva)



Marillion - Seasons End (1989)

O Marillion conquistou os anos 80 com o seu Neo-Progressivo (no qual era e é a maior banda) e clássicos como Kayleigh, Lavender e Sugar Mice; uma característica marcante daquela era a voz do vocalista Fish. Com um quê de Peter Gabriel, o músico tinha tom e suavidade marcantes - além de um sotaque único. Substitui-lo não seria uma tarefa fácil. E foi o que Steve Hogarth fez com maestria nesse recomeço do Marillion em 1989. Fish saiu por problemas com drogas, e Hogarth topou encarar essa pedreira. O resultado foi Seasons End, um dos mais celebrados álbuns do Marillion e com clássicos como a progressiva The King of Sunset Town, a melódica The Uninvited Guest, a roqueira Hooks in You e a bela The Space..., mas o destaque mesmo fica com aquela que considero a segunda canção mais bonita que já ouvi: Easter (a primeira é Beautiful, do próprio Marillion). Um dos mais belos recomeços de uma banda. (Carlos H. Silva)


Black Sabbath - 13 (2013)

É praticamente impossível falar-se em grandes álbuns de retorno sem citar o Black Sabbath e o esperadíssimo 13. A banda voltou com sua formação quase clássica (com exceção do baterista Bill Ward, mas isto você já deve estar careca de saber), o que deixou milhares de fãs saudosos no mais puro estado de êxtase possível. Embora eu acredite que 13 tenha sido superestimado demais (talvez pelos motivos citados acima), o disco traz em sua essência toda a sonoridade inicial do Sabbath e um instrumental no mínimo brilhante. Faixas como Loner e Live Forever são prova disso. (Rose Gomes)

Em que lista de retornos Black Sabbath conseguiria ficar de fora? Eu não encontro. 13, assim como Endlesse Wire, que citei do Who, está longe de ser o melhor trabalho dos caras, mas foi a volta. Quanto tempo fazia desde o último lançamento de inéditas do Sabbath? Pois é, dezoito anos. E outra, foi a volta de Ozzy, como disse recentemente numa de minhas publicações esporádicas em redes sociais, "Ozzy é a cara do Sabbath...", apesar dos pesares, apesar de Bill Ward não ter sido escalado, apesar de o Príncipe das Trevas estar com falta de fôlego, foi a volta dos criadores do Heavy Metal. Age of Reason, Dear Father e a faixa bônus Naivete in Black são as que mais me marcaram. (João C. Martins)

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